Decisões x Opiniões


Tomamos decisões sobre a nossa vida todos os dias, e espero de coração que a tomemos pensando no nosso bem estar. Às vezes, tarde da noite, mesmo cansados, colocamos nossa cabeça no travesseiro e imaginamos cenários possíveis e impossíveis sobre o que queremos para nossa vida. Porém, de forma bizarra, percebo que colocar essas decisões em prática parece estar se tornando cada dia mais complicado. Não pelo ato em si, que para muitos já é um desafio, mas pelo comportamento de terceiros. É como se vivêssemos em um mundo cada dia mais agarrado ao pensamento de "o que as pessoas vão pensar?", ainda que inconscientemente. E, com o perdão da má palavra, já começando com o pé na porta, que se danem as outras pessoas! A vida é sua e você é quem precisa saber e viver o que é melhor para a sua felicidade. Mesmo passando pela escrutinação pública. Palpiteiros sempre palpitarão. Fofoqueiros sempre fofocarão. Mas quem se importa com você de verdade, estará ao seu lado.


Vamos usar os relacionamentos interpessoais como exemplo.
Esses dias me peguei pensando sobre essa necessidade de outras pessoas, em especial da família, de nos ver em um relacionamento, na fixação que outros têm sobre termos filhos, e etc. Ninguém pergunta pra você "porque você largou a pós-graduação, querida?" ou "pra qual lugar do mundo você pretende viajar agora?", mas todos querem saber porque seu relacionamento acabou ou se você não se preocupa por estar ficando velha (Oi?), pois em pouquíssimo tempo não vai mais poder botar rebentos no mundo.
Eu particularmente já nem registro mais a cara de choque (e descrença) de algumas pessoas quando eu digo que não, não me vejo tendo uma família tradicional, não, não tenho sonho de me casar de véu e grinalda, na maioria das vezes nem sequer penso em ter filhos (na realidade, passei a vida quase toda dizendo que não os queria, e mesmo hoje, com trinta e tantos, ainda acho que não os quero), e sim, tenho o direito de mudar de ideia a hora que eu quiser, porque a vida é minha! Se eu decidir engravidar aos 50 e isso ainda for possível, eu o farei. E estou cagando para quem acha ridículo o ser "mãe-vó", como ouço da galerinha do "pavê ou pacumê", e também não acho que seria injusto com um filho meu ser criado por uma idosa, como ouvi esses dias (essa foi novíssima).
Injusto é ver tantas mulheres sendo mães sem estarem preparadas, tendo filhos sem saber como educar, ou até sem ter como dar um certo conforto para a criança. Injusto é um "pai" dar uma merdinha de dinheiro, aparecer uma vez por mês - quando muito - pra tirar foto com um filho e se apresentar como o picão nas redes sociais, achando de verdade que está fazendo grande coisa. Ou nem aparecer ou ajudar, ignorando que tem um filho e a sociedade bosta que a gente vive ainda acreditar que ele é melhor que uma mulher que faz um aborto (sem generalizações, mas sem hipocrisia - sabemos que isso é mais comum do que deveria). Não, não me considero egoísta por não ter um filho. E se eu cogitasse pôr uma vida nesse mundo que a gente vive só porque eu posso precisar de alguém pra cuidar de mim na velhice, eu acho que seria uma grandecíssima fdp!
Não é um casamento que vai determinar se eu serei ou não feliz, ainda porque, acredito que para ser feliz com qualquer pessoa é necessário aprender a ser feliz consigo mesmo, desfrutar da sua própria companhia, do seu momento com você, até ter certeza de que a sua felicidade não está nas mãos de outrem. Vejo tantos pais e mães descontando suas frustrações nos filhos, projetando neles o que gostariam de ter vivido. Vejo tantos relacionamentos falidos e pessoas tentando desesperadamente se agarrar a eles, mesmo sofrendo, mesmo passando raiva dia após dia, apenas pelo medo de ficarem sozinhas, apenas para ostentar um status de casado(a), apenas para fugir do rótulo de "encalhado(a)". Eu mesmo já passei por isso, talvez não por nenhum desses motivos, talvez por todos eles, talvez por medo de terminar um relacionamento bosta e, ainda assim, me arrepender porque não estaria mais com a pessoa que eu acreditava amar. E agora tenho medo é de me tornar uma dessas pessoas! De continuar colocando um relacionamento acima do meu amor próprio. Não quero aprender a suportar tristeza, mágoa e dor só para ter alguém do meu lado. E isso é uma decisão muito bem pensada!


Outra questão que preciso levantar aqui no campo das decisões é: EU TENHO TODO O DIREITO DE MUDAR DE IDEIA!
Decidiu? Fez? Se arrependeu? Volte atrás. Você tem total direito a isso!
Não entendo como as pessoas podem jogar na sua cara uma determinada escolha sua, feita em uma determinada situação e esperar que você tome a mesma decisão em toda oportunidade que tiver, do contrário, você se torna uma pária, ou hipócrita, ou incoerente, ou sei lá o quê! Eu posso não sair às 19h de um domingo por considerar estar tarde e na outra semana, também num domingo, decidir sair às 21h. Não sou obrigada a repetir um padrão ou tomar a mesma decisão para sempre. Não sou obrigada a agradar a terceiros. As consequências das minhas escolhas recaem sobre mim e não sobre os outros. Circunstâncias mudam, assim como o nosso dia a dia e nosso pensamento.
Ontem estava em um relacionamento, hoje não estou mais. Tenho o direito de permanecer solteira, encontrar outra pessoa ou retornar para o ex. Faço aquilo que considero ser melhor pra mim. Ontem eu era gorda, agora estou ficando magra. Posso continuar ou parar. A escolha é minha e somente minha, já que o corpo é meu. Assim como posso não querer ser mãe hoje e decidir engravidar mês que vem. E nem uma coisa nem outra vai me fazer triste ou feliz no futuro, a não ser que eu permita.
As pessoas mudam constantemente, e creio que esse seja o melhor aspecto de se estar vivo, poder nos transformar, nos reinventar. Não são os mortos os mais aptos a mudar de ideia. A pessoa que eu era há cinco anos não existe mais. Talvez a pessoa que eu era há cinco meses já não seja a mesma que vos escreve hoje. Conceitos mudam, visões de mundo, crenças, formas de pensar e encarar a realidade. Aprendemos, desaprendemos, acreditamos, desacreditamos. Não somos seres estáticos. Nosso corpo muda. Então porque não temos o direito de mudar nossa mente?
Meu desejo hoje é jamais me curvar à vontade de outra pessoa. Aprender a permanecer no 'não' quando eu não estiver a fim e no 'sim' quando eu souber o que quero. Aceitar que eu posso mudar de ideia e que outras pessoas não têm o direito de me criticar por isso. Omissão com o seu eu traz infelicidade. Desejo viver minhas escolhas. Assumir um compromisso com o que eu realmente quero da vida. E desejo o mesmo pra você! Não se submeta. Não se padronize. Não se curve. Seja à família, à massa, ao sistema, ou ao caralho que for. Sua felicidade depende de você, e de você somente.

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